9 de junho de 2008

Já sei o que vem agora: vai-se o controle da minha vida, vai-se o controle da minha escrita, vai-se o controle. Vou querer arrancar os cabelos e gritar, mas vou fechar os olhos e sentir um triturador no peito, bem quietinha. Vou gritar pra dentro tão alto que todos os vidros se partirão. Vou soluçar quase em silêncio e você nem vai notar. O amor, esse idiota, atormenta qualquer pobre alma livre.

Enquanto isso, você dorme ao meu lado sem saber de nada. Oh, querido, se você soubesse, nunca teria aberto a porta, nunca teria me procurado, nunca teria deitado ao meu lado nem tirado suas roupas nem aberto seus braços. Agora não dá mais pra correr. Eu sei onde te encontrar. Agora estamos fodidos, my darling. Estamos fodidos. Esquece a escrita porque ela vem junto com a vida. Preciso viver. Preciso viver porque posso morrer. Estou fodida, completamente fodida, mas isso me faz respirar fundo e olhar direto pro sol. Queimo minha retina e dou risada. Dane-se. Nada queima mais do que o amor, esse filho da puta egoísta, esse cão dos infernos. Agora eu sei: o amor é uma merda. Mas eu agüento.



Por você, eu agüento. Só por você.