26 de abril de 2008

É só o medo do diferente e de ser diferente.

A pessoas são muito engraçadas, extremamente engraçadas. É incrível como elas*¹ conseguem se admirar e fazer aquela cara de 'nossa' com tão pouco, com o diferente do habitual delas, que são muitos, muitas atitudes, muitos gestos, muitas palavras, muito de tudo é estranho. Nem toda criança precisa ser trelosa, nem todo adolecente precisa ser revoltado e nem todo velho precisa ser chato. E é isso que se espera, uma regra, um painelzinho automático, e se você não e encaixa nele você é bruscamente cuspido pra fora do sistema e é massacrado. Mas esses seres'zinhos anormais esquecem que mais estranho é trabalhar o dia inteiro na merda de um emprego que é horrível e que ele odeia, se matando pra ganhar uma porra de um salário minímo e minúsculo e depois que chega em casa vai comer a sobrinha do almoço, toma um banho rápido e gelado*², dá um beijo frio na esposa que também é estúpida, ela é só um robô programado pra cuidar das crianças, fazer a comida, assistir a novela das 8, e dar pra ele quando ele estiver afim, e ele sempre está afim na horas que ela não está, ai o casamento já é uma porcaria, ele mal se olham com desejo, e nem sentem mais as borboletas no estômago - se é que já chegaram a sentir isso, a paixão se diluiu, e o amor viu que era uma barca furada e nem chegou pra eles, e agora eles só convivem enquanto ela termina de secar a louça, muitas vezes sem nem falar com os filhos, ele vai dormir.
Agora me diz, quem é mais normal por aqui? Respondeu? Pois bem. Me diga agora se é bom ser normal? É. Quer minha opinião? Eu gosto mesmo é de ser eu.


*¹ - falo como se também não fosse humana, na verdade sou, mas não como todos os outros.
*² - rápido porque senão ele não vai ter dinheiro pra pagar a conta, e gelado porque eles não têm dinheiro pra mais uma despesa colocando um chuveiro elétrico.