14 de março de 2008

"Ah não, de novo? de novo? de novo?
Palhaçada; você vai sumir, eu vou ficar inquieta, pensando no que eu fiz de errado,
me descabelando pela casa, repassando todas as frases ditas sem encontrar nada.
Anos e anos assim. Vou secando, minha inspiração se esvaindo, tudo me lembrando você, você, você. Cada livro, cada palavra, cada esquina, cada garrafa quebrada, cada frase minha precisando do seu aval e eu mais dependente a cada segundo. Quanto mais você some, mais dependente eu me torno. O jogo da gata e o rato, o jogo da minha vida, eu com você, você com você mesmo.
Palhaçada; a casa muda e eu continuo arrastando os móveis de um lado para o outro tentando lembrar como era. Eu nunca saí daquele quarto com as fotos na parede, o cassius clay nos abençoando e as garrafas de vinho no chão. Estou lá até hoje, o banheiro rosa, sua voz ecoando. Amor não, eu passo: amar tira o brilho dos olhos. e depois nunca mais passa, essa parte você não me avisou.
Palhaçada; agora todos os homens são o mesmo homem que um dia me quebrou."

Averbuck.